quinta-feira, 9 de dezembro de 2010




Ela parece que saiu de um conto

E faz poesia

Me aborrece quando some

Um fastio

Me assombra quando aparece

Com heresias

Pois ela é santa e é rebelde

Entender? Desafio!

Ah, outro dia ela disse

“Não sei viver assim

Muito menos de outro modo”

E eu não a aconselho

Nem reprovo

Pois sei que a flor

Ainda não saiu do botão

Renovo os votos de felicidade

Mas sei que o trabalho e sofrimento lhe esperam

Pois os medíocres são felizes

E os grandes se realizam

E ela é grande

Ela é deste tamanho, não

Ela é bem maior

Que todos

Ai, que sorte eu tenho de tê-la na minha vida


Amor acontece, como acontece a chuva

domingo, 5 de dezembro de 2010

Morro Branco





Eu não sei ao certo o que dizer
só sei que há de ser
coisa importante!
Eu não sei que palavras sairão
mas são inspiradoras as noites de verão
no inverno sertanejo
Eu não sou o mesmo que antes
e hei de fazer
o que há de ser feito
uma palavra, um abraço, um beijo!

Flávio Dantas Martins
Feira de Santana, 06 de dezembro de 2010




Um "quero, mas não posso"
a mim não diz nada
se queres, solte as asas
e venha encarnar meus ossos

Mas, porém, se não sabes
o que queres, pois não quer
sei que és, pois não, mulher
e isso por si explica o que fazes

só não me brigue ou mate
sem, depois, fazer as pazes
e tornar uma só, duas faces
e dois corpos em vênus, não marte!

ah, me abra feridas que não caibam gazes

domingo, 21 de novembro de 2010

que há de se fazer?
todas as cortinas foram comidas pelas traças
os buracos foram fechados pela prefeitura
as portas falsas, de tão falsas, não dão em canto nenhum
as arestas aparadas, sem cantos
as feras não tem apetite
e agora?

a festa prossegue, mas sem lugar pra si
a luz agora vem de grandes moinhos, energia limpa, não-poluente
o povo passa, mas não dá atenção alguma

seus cartões não são autorizados
seu dinheiro perdeu o valor

que há de se fazer?
assim sinto
esse fastio
vazio

ah, vida besta do diabo!

terça-feira, 26 de outubro de 2010


Imprimi aquelas nossas fotos
Para guardá-las na caixa.
Aquela caixa que lhe falei, onde guardo
Minhas 100 cartas de amor
Umas 6 que contém ódio
E duas de rancor
Aquela caixa de fatos insólitos
Dos tempos loucos da minha juventude
Em que eu ardia nas praças
Esperando uma velhice cálida

Eis-me velho
E ainda louco

Mas descobri, atônito,
Que não posso guardá-la
Na minha caixa
Lá está o passado
Distante, de outro século,

Então resolvi guardar-lher
Proteger do frio, da chuva,
(Queria proteger do mundo, mas não fui feito anjo da guarda
Fui feito gente, fraca)

Mas não numa caixa, dentro de um guarda-roupa,
onde habitam o escuro, aranhas, pó

E você não é feita desse pó
Mas de outro
Do pó de Apolo, deus da sabedoria, e, certamente
Das artistas meigas das linhas e das palavras

Então, comprei-lhe uma caixa de vidro
E quando eu tiver uma casa
(Nem precisa ser casa, basta que eu tenha uma parede)
Vou pôr à vista de todos
E dizer, orgulhoso, que faz parte de meu presente!

terça-feira, 5 de outubro de 2010